Este é o título do filme que está em cartaz nos cinemas. Traz a vida do homem, do naturalista inglês Charles Darwin. Cientista da natureza, Darwin, escreveu aquela que é considerada mundialmente a sua obra-prima, a saber: “A origem das espécies”. Livro resultante de suas minuciosas, pacientes e exaustivas pesquisas ao longo de mais de 20 anos. Em 2009, comemorou-se os 150 anos de sua publicação. Observando a inteligente imagem do cartaz daquele filme vem à lembrança àquela célebre pintura feita pelo não menos genial artista, Michelângelo, ao retratar a criação do homem no teto da Capela Sistina, em Roma. Inevitável comparação. Criação ou evolução? Ou os dois? Criacionismo ou evolucionismo, ou ambos combinados? Estas parecem ser as indagações, até hoje, presentes, dividindo os grupos de teólogos e cientistas; de ciência e de fé ou de fé e de razão. E, ainda, levantamos outro questionamento: constituirão, de fato, duas realidades mutuamente excludentes? Dúvidas que rondam o pensamento humano. Talvez, não menos reais do que as que Darwin vivenciou na Inglaterra do século XIX. Era vitoriana. Sociedade burguesa com costumes enraizados na moral cristã da Igreja Anglicana da qual participava. Charles Darwin, assim como o pai (Robert Waring Darwin) e o avô (Erasmus Darwin), iniciou os estudos de medicina, mas os interrompeu em 1827. E quando abraçou os estudos de teologia, já estava contaminado pelo vírus da história natural. Aliás, desde menino, já tinha a inclinação para a observação da natureza, pois colecionava besouros. Em 1831, com 22 anos, a bordo do Beagle participou de uma expedição que durou cinco anos realizando um verdadeiro périplo em torno do mundo. Casou-se em 1839 com sua prima Emma Wedgwood. Teve dez filhos. A sua teoria revolucionou a ciência de até então. Trouxe uma nova forma de enxergar o mundo natural. Darwin encontrou pela observação e pela experiência, as provas científicas que explicam, no campo da biologia, a evolução das espécies animais. Internamente, vivia um conflito com sua fé já que a sua Igreja, daquela época, não admitia quaisquer questionamentos em torno do surgimento da Terra, dos seres, dos homens. Interpretavam a Bíblia, sobretudo, o livro do Gênesis (que significa origem), ao pé da letra, no seu primeiro e único sentido literal. As evidências encontradas por Charles Darwin, porém, apontavam para outra direção. Enfim, e com a morte prematura de sua filha mais velha, Annie, o naturalista, então, bastante abalado com a perda e perturbado com a culpa que sentia, consolida o seu processo de agnosticismo. Apesar disso, a teoria de Darwin não “matou” Deus como muitos acreditam. Até porque o naturalista inglês reconhecia a importância da religião na sociedade humana. Charles foi enterrado aos 73 anos com todas as honras cristãs na Abadia de Westminster. Lendo sobre sua vida, seu trabalho, sua obra. Assistindo ao filme. Concluimos que sua teoria encontrou muitas provas científicas que, sem dúvida, certificam o evolucionismo das espécies pela seleção natural e sexual. Todavia, constatamos, também, que fica em aberto quem ou o quê vem como origem das leis evolutivas de todos os seres que existem. Que ela (a teoria) não esgota toda a realidade, já que se tratando de seres ditos racionais, possuímos não apenas matéria mas também uma parte imaterial que, todos os dias, constatamos pela experiência de produção de pensamentos e idéias. Mas tudo isso é compreensível, pois Darwin era um cientista e transitou pela física. Resta complementá-lo com a metafísica. Afinal, como muito bem nos revelou a encíclica “Fides et Ratio” (Fé e Razão), Deus nos fez inteligentes para que pudéssemos encontrá-lo na razão que ilumina e guia a nossa fé. Assim, não encontramos nenhuma oposição verdadeira entre ciênca e fé. Aliás, o trabalho de Darwin é aceito como válido e nunca foram proibidos os seus livros, também, pela Igreja Católica. Antes pelo contrário. A visão fundamentalista só empobrece a riqueza da Criação!! É por isso que aplaudimos e agradecemos ao criador da teoria da evolução, Charles Darwin, que com toda propriedade assumia: “...o amor pela ciência, disposição para refletir pacientemente sobre qualquer tema, cuidado na observação e coleta de fatos, e uma razoável parcela de inventividade e bom senso”. Que os teólogos sejam humildes para aprenderem tal ensinamento e que os cientistas não sejam arrogantes a ponto de eliminarem o divino de tudo que foi, evolutivamente, criado!!