Para uma menina chamada Teresa.

Alguém viu uma menina chamada Teresa?
Moreninha trigueira, vestindo azul-turquesa?
Com a negra cabeleira em uma trança presa?
De olhos escuros e com jeito de princesa?

Por onde andará, meu Deus, a menina Teresa?
Será que está no pomar comendo framboesa?
Na despensa, gulosa, devorando a sobremesa?

Alguém pode me ajudar a encontrar a Teresa?
Será que não se escondeu embaixo da mesa?
Estará na cozinha atacando o bife à milanesa?
Quem sabe no quarto preparando uma proeza?

Um bem-te-vi me cochichou com presteza
Que ela vestiu sua fantasia de tirolesa
E foi ao jardim dançar com a natureza.

Dando asas à imaginação, com certeza,
E um belo e ousado piparote na tristeza,
Entrou no castelo do sonho, com afoiteza
E enfeitiçou-se com a magia da beleza.

Agora sim, com a mais absoluta certeza,
Sei onde procurar a travessa Teresa.