Porto dos Casais, Porto de Viamão e tantos outros mais, tantas mais denominações. Nascestes assim, freguesia, vila, casais açorianos, imigrantes de muitas terras de além-mar. Porto Alegre é assim: misto de bravura e candura; de reivindicações e de lutas; de um jeito tão peculiar, que quando, aqui, chegamos, simplesmente nos encantamos. É verdade, que toda moeda possui sempre o outro lado. Aqui, também, a vida é dura. O preconceito, a injustiça social também se faz presente. A poluição, o descaso das autoridades, enfim, toda insatisfação de vê-la mal tratada, não como, de fato, merece ser amada e cuidada. Muitas vezes, falta dignidade, falta paz. Porém, mesmo assim, hoje, é dia de celebrá-la. Afinal, o nosso amor não está nas mãos de quem não a respeita. Nosso amor é livre, magnânimo. Não quer retorno. Nem recompensas. Amamos até as suas imperfeições, as suas limitações. Já um pouco lhe conhecia, Porto Alegre, quando em meus livros escolares estudava a geografia dos seus rios, do seu planalto, da sua vegetação, do seu clima. A geografia humana. A história de sua gente. História regional. Cheia de percalços, de bravatas. Repleta de significados de vidas que, neste chão, construíram a sua pátria, o seu lar. Pessoas que vieram de países distantes. Fugindo da guerra e da dor. Em busca de amparo e calor. Olhando as suas ruas, os seus parques, os seus morros, os seus rios, o seu mais famoso lago, o Guaíba, contemplando o seu belo pôr-do-sol, andando pelo Mercado Público, pelo seu centro histórico, e por tantos mais, percebemos a marca de uma cultura cosmopolita com um jeito provinciano de ser. Porto Alegre é assim: do oito ou oitenta; do inter ou do grêmio; farrapo ou maragato; do contra ou a favor; de guerra ou de paz; dos grandes debates ou das perfumarias; da visão grandiosa ou dos detalhes infindos; do amor à polêmica ou da mão no fazer e agir. Assim é Porto Alegre. O nosso canto no mundo. Chegamos de outras plagas, mas, aqui, realmente lhe desvendamos a sua alma, o seu coração. Lembra a sabedoria popular que só amamos o que conhecemos. Pois, então, Porto Alegre, quanto mais lhe conhecemos não somente nas suas belezas, mas, sim, também, nas suas fraquezas, nos seus erros e defeitos, mais aprendemos a respeitá-la, a admirá-la e, enfim, a amá-la. Sua gente é guerreira, batalhadora, brasileira. São 238 anos de existência. Parabéns, “leal e valerosa” capital dos pampas. Brasil meridional. “É lá que as gurias, etc e tal”. Aqui, estamos, e tantos mais de outros Estados do nosso querido Brasil. Tornamo-nos, também, um misto de sentimentos, de cores, de amores. Somos matuchos, baianuchos, mineiruchos, e tantos “uchos”. Incorporamos o sentir, as expressões, as suas manifestações. Mergulhamos na sua essência. Subimos a lomba, enxergamos a pechada, nos pisamos, vamos aos pés, saboreamos a bergamota, o cáqui (não caqui), mas báh, para com isso tchê, é o seu aniversário, é tri legal! Terra de muitos encantos, o nosso canto. Tu és daqui, meu querido, Canto, porto-alegresense “da gema”...hehe...Por isso, no pulsar da vida, na confissão espontânea do meu coração, verdadeiramente, tu és o meu Canto no mundo! Parabéns Porto Alegre!!