Para a amiga Coema, que torce pela vida.
O cansado solo gretado
É um velho rosto sulcado.
São o tempo e as intempéries.
O entusiasmo das nuvens!
Gotas se desprendem
E lavam o rosto gretado.
E ensopam o solo sulcado.
Aplaca-se a fúria da poeira,
Suaviza-se o ímpeto do sol.
O verde, até então de sentinela,
Desvela-se em bela passarela.
Embate entre a vida e a morte.
Porque nuvens há que fertilizam
Mas nuvens há também
Que não se prodigalizam.
Aí, então, a vida se oculta.
Ou se disfarça e a morte se escuta.
De repente, à mínima gota,
A vida explode e se espraia.
A vitória da morte? Onde?
Apenas a vida que – criança –
Brincava de esconde-esconde.