O homem, cansado de trabalhar.
E o morro, sentinela perdida,
em seu posto de observação.
O homem, cansado de esperar.
E a morte a espreitar de cima do morro.
O homem, cansado de lutar,
com a morte aposta corrida.
Daquela vez a sorte favoreceu-o
E ele atingiu a meta de chegada antes dela.
Não é que ele fosse mais veloz que ela.
Não. É que ela desceu cavando sepulturas.
E, atrás dela, a areia extraída dos buracos,
A inumar os que correram menos que ela.
A morte, comandando avalanches,
movimentos raivosos da natureza degradada.
A morte, dirigindo deslizamentos,
reações incontroláveis da natureza desrespeitada.

A morte rendeu a sentinela e não perdeu tempo.
Ocasião propícia. Pouco esforço ela despenderia.
(Tivera paciência e esperara a conjunção perfeita:
Solo instável, chuva forte e constante
– bela colheita
Moradores teimosos, autoridades burlantes
– fatal receita.)

Foi fácil. No movimento descendente
Tumbas abertas e inumações simultâneas.

No morro não há mais sentinela.
O morro não é mais.
O que ainda é... é a lembrança dela
confundida com o medo e o desespero.