A sala era o limite entre mim e o mundo.
Fora da sala, o mundo. Com sua inquietude,
sua incompletude e seu nonsense.
Dentro da sala, eu. Eu e meu mundo de fantasia,
com seus mistérios, sua lógica e sua completude.
As varandas eram o limite
entre o mundo de dentro e o mundo de fora.
As varandas de ferro, com seus arabescos.
Quando o mundo de fora invadia o mundo de dentro
havia um movimento de recuo
e eu me trancava em copas
até que os intrusos retornassem a seus lugares.
Aí, então, abria portas e janelas
acendia as luzes e as velas
e mostrava-me sem pudor e sem titubeio,
movendo-me do centro para as margens
movendo-me de dentro para fora.
Então uma nova invasão me levava
a um novo movimento:
que ia de fora para dentro
que ia das margens ao centro.
E nos dois movimentos tracei minha infância.
Um movimento me levava ao mundo de fora.
Outro movimento me levava ao mundo de dentro.
Limite entre mim e o mundo
Enviado por Vicência Jaguaribe, ter, 04/05/2010 - 13:34