Nos cavalos negros juntos com amanhecer, eles cavalgam pela floresta.
Seus cabelos são chamas, seus olhos, tem sangue, seus corpos são pequenos e nus.
Eram seis, com seis lanças e o dobro da fúria humana. Gritavam numa língua perdida, uma canção de guerra .
Eram rápidos, se moviam como vultos, seus gritos repercutiam em toda floresta conforme os raios de sol penetravam naquela escuridão...
Rumo a vingança iam os curupiras, remanescentes de um antigo ataque humano à aldeia onde viviam.
Cavalgando pararam num certo ponto onde a floresta acabava. Sentiam o calor tocando suas faces joviais mergulhadas na ancestralidade de seus olhos.
Respiraram fundo, como que absorvendo o poder libertário do ar...
De onde estavam já podiam avistar a vila humana que parecia afundar-se entre as colinas sem vegetação.
Cinza, tudo tristemente cinza.
Fechando os olhos, sentiram o vento mover as chamas de seus cabelos, desceram em disparada rumo aos seus destinos.
Seus cavalos eram sombras em meio ao dia ensolarado de outono.
Na vila os humanos avistaram as seis figuras que desciam místicas, e o mais rápido que puderam de espadas e machados se armaram.
Tinham medo, mas sabiam que deviam ficar e sofrer com todas as conseqüências...
-Iremos morrer,- disse o xamã – é sim, a Terra me contou!
-Não importa velho!-disse a mulher pegando sua espada. - Morreremos lutando!
E assim aconteceu.
E então foram de encontro uns aos outros, como forças opostas, não como bem e mal, mas sim como ação e reação, fantasia e realidade.
Nesse dia houve um grande choque e o choro rompeu numa estranha sinfonia.
Hoje no lugar onde ocorreu a batalha, há uma floresta.
No outono as árvores são adoradas com canções ao anoitecer...
Silenciosos os curupiras cantam e dançam numa representação alegre do que foi antes uma feroz e real batalha...
Uma voz distante e estranha em eco me destrói todo o universo...
- “Acorda!”
Ataques epiléticos de uma mente resistente.