Contos

Drama

MEU QUASE ASSASSINATO

"Uma noite, voltando a pé para casa, fui perseguido por um carro suspeito, ao entrar na pequena rua onde moro com minha tia. Eu juro: escapei por um triz de ser atropelado pelo jaguar lindão...
Eu sabia quem ia dirigindo, e sabia também que aquele cara não descansaria naquela noite enquanto não passasse por cima de alguém..."

Um pesadelo de amor

"Eu estava à porta de uma loja — entrando ou saindo, não me recordo — quando te vi a passar do outro lado da rua. Levantei a mão e balbuciei um “olá”. Tu olhaste para mim, fizeste um sorriso, retribuíste o “olá”, desfizeste o sorriso, te viraste e continuaste a caminhar..."

Fragmentos de uma tarde ensolarada

"Nunca foi um relacionamento. Não chegou a ser um romance. Foi mais uma troca de olhares profundos e toques discretos e sorrisos escondidos. Adrenalina. Nunca houve beijos, nunca ouve sexo, nunca nem houve abraços. Era puro…"

Outra história sobre estrelas.

"O céu está bonito hoje. Com aquelas nuvens acinzentadas cortando as estrelas, como você gosta. “Olha, loira. Nem tudo precisa ser perfeito pra ser digno de apreciação” Dizia ele, sorrindo, deitado ao meu lado, uma mão em meus ombros e a outra esticada pra o alto, como se tentasse alcançar o céu..."

A morte à esquina

"
As ruas largas, com as residências muradas. Com um ou outro pedestre. Os carros passando em número reduzido, uma ou outra moto. Aquele edifício que pedreiros erguem-no, conversando. As frases incompreensíveis devido à altura. A moça loura, de short. As pernas longas. O andar gracioso, de manequim..."

Perversão normalizada

"Século XXI, às oito horas da manhã dar entrada na Unidade de Tratamento Intensivo, uma mulher muito bonita, solteira que foi vitima de uma colisão de carros, na qual o motorista bêbado entrou em sua frente fazendo-a manobrar seu veiculo bruscamente conduzindo o carro para uma ribanceira. Por sorte..."

LENDA DAS PEDRAS DE ITAGUAÇU

"A história que vou contar é uma lenda popular, podendo coincidir com relatos do ilhéu "Franklin Cascaes", nascido no município de São José da Terra Firme/SC. Conheci esta lenda, na década de 80, dita por uma idosa, que ao me ouvir falar sobre as bruxas da Ilha de Santa Catarina e fez uma pergunta muito simples:
__ Minha filha, já ouvisse falar da história das pedras da ponta da Praia de Itaguaçu?
A resposta foi imediata:
__ Nunca ouvi nada a respeito. Foi então..."

As mãos invisíveis

"O pai reclamava, contrariado, sem poder se conter:
- Pobre não devia se casar. Botar gente no mundo pra sofrer!
A mãe, ele (menino naquela época) e a irmã escutavam-no. Mudos. No receio de serem atingidos pela ira do rosto vermelho, os olhos dilatados, a voz alta, enrouquecida:
- Ninguém quer ser mais pobre. Aqui mesmo..."

Weekend

"Encosto-me na cadeira, estico ainda mais o pescoço e percebo sua presença na multidão. Eu a reconheci pelo cabelo verde, conforme o combinado. Deve ser uma peruca, mas ficou bem destacada entre as demais. Tudo me faz crer que vem em minha direção. Ela para na porta, observa ainda a rua com certa desconfiança e depois começa a me procurar por entre as cadeiras da praça de alimentação..."

Retorno à casa materna

"Mundo velho sem porteira! Nunca esquecera a frase da velha Bibiana, personagem de O tempo e o vento. E repetia-a para si mesma, quando se surpreendia com os acontecimentos que desorganizavam o bom senso da rotina. Pois foi essa frase que ela sussurrou quando o carro parou em frente à casa dos pais: Mundo velho sem porteira..."


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